Visão externa é principal contribuição dos conselheiros independentes para os Conselhos de Administração
Na sequência, de acordo com estudo da EY que entrevistou 143 executivos de grupos empresariais no Brasil, aparecem imparcialidade e neutralidade; conhecimento e experiência do setor; e profissionalismo e rigor.
Na sequência, aparecem imparcialidade e neutralidade; conhecimento e experiência do setor; e profissionalismo e rigor. (Foto: Freepik)
A capacidade de olhar para fora da empresa, como alternativa à visão enraizada que costuma haver nas organizações, é apontada como a principal contribuição que os conselheiros independentes trazem para os Conselhos de Administração. A chamada visão externa, com 23% da preferência dos entrevistados, pode indicar novos rumos para a empresa em um cenário econômico de constantes transformações que exige novas e rápidas soluções para os desafios. Essa constatação é do estudo “Conselheiros Independentes: Boas Práticas”, realizado pelo EY Center for Board Matters (CBM) em abril do ano passado com 143 respondentes entre membros de Conselhos e executivos de grupos empresariais no Brasil. Em termos de perfil, 58% dos respondentes atuam em empresas com faturamento superior a US$ 500 milhões por ano.
Na sequência, aparecem as seguintes contribuições que podem ser dadas pelos conselheiros independentes: imparcialidade e neutralidade (18%); conhecimento e experiência do setor (14%); profissionalismo e rigor (13%); diversidade de opiniões (9%); transparência e boas práticas de governança (7%); pensamento estratégico (5%); inovação e novas ideias (5%); apoio aos acionistas minoritários (3%); e riscos e conformidade (3%). A imparcialidade ou neutralidade evita que as decisões desses profissionais sejam tendenciosas. Já o conhecimento e experiência do setor permitem a eles apoiar suas afirmações e dar força às suas argumentações.
“O objetivo é que esses conselheiros promovam uma governança corporativa eficiente e equilibrada, agregando valor por meio de diferentes perspectivas e expertises ligadas ao setor de atuação da empresa”, diz Daniela Brites, sócia de consultoria em Gestão de Pessoas na EY. “A experiência em diferentes indústrias, modelos de negócios e tecnologias capacita esses profissionais na execução de suas atividades de conselheiros independentes, reforçando a transparência e a integridade nas empresas, o que inclui a proteção de acionistas minoritários”, completa.
Critérios de independência
Ainda de acordo com a pesquisa, 97% dos Conselhos têm membros independentes. Para que essa condição seja observada, 24% dos respondentes apontam que o conselheiro independente não pode ser empregado ou administrador da empresa ou de uma empresa do mesmo grupo (nem ter sido nos últimos três anos). Já 19% dizem que ele não pode ser fornecedor ou auditor da empresa (nem ter sido nos últimos três anos). Outro critério, para 18% dos entrevistados, é não ser cônjuge, parceiro ou ter algum grau de parentesco com administradores, membros do conselho ou acionistas com 5% ou mais do capital social. Há quem prefira (17%) que o conselheiro independente não seja acionista da empresa.
A independência, para os entrevistados, se perde com o passar do tempo. Para 37%, isso ocorre depois de cinco anos de atuação do conselheiro independente no Conselho de Administração. Para 26%, após um período entre cinco e dez anos. Para 22%, após mais de dez anos. Há quem seja ainda mais rígido, dizendo que a independência acaba depois de três anos, na visão de 15% dos respondentes.
Fatores de resistência à presença dos independentes
O estudo ainda menciona que pode haver resistência à entrada de membros independentes no Conselho de Administração. Para 21,2% dos entrevistados, esse movimento ocorre por causa da pressão dos acionistas contrários à presença desses membros. Já 20,1% dizem que existem poucos candidatos que preenchem o perfil desejado. Outros 17,4% apontam pouca vontade de investir na busca de membros independentes, e 10,9% dizem haver pouca vontade por parte de alguns membros do Conselho, como o presidente, em considerar membros independentes. Por fim, 8,2% afirmam que há poucos candidatos que atendem aos requisitos de independência.